sexta-feira, 12 de março de 2010

uma tarde, apenas uma tarde

Acordei de manhã, como um dia normal, ouvia os mesmo gritos como os de todas as manhãs, eu estava atrasada, mas sem me preocupar fazia as minhas coisas sem ouvir qualquer outro tipo de ruído.
Fui para escola, tal como indica a minha rotina diária, as aulas passaram, falei sem me apetecer e ri sem eu querer. Voltei para casa, sozinha, como sempre, à espera que alguém me aparecesse por trás para me fazer companhia, eu não olho para trás, não, eu não quero saber as surpresas que me reservam, eu não saber o futuro, eu não quero saber quem vem lá, eu só quero que venham. Mas não, nunca ninguém vem, e a expectativa continua pairando no ar.
Eu chego e ninguém está, como de custume, almoço sossegadamente, o silêncio domina.
Regresso à escola, sem encontrar qualquer tipo de pessoa, diria mesmo que tudo fugiria de mim, mas acho que isso nunca chegarei a saber.
Pensando que seria uma tarde como as outras, enganei-me.
Esta tarde foi diferente, hoje, dia doze de Março, a minha tarde foi diferente.
Disseram que iamos assitir a algo ligado a contos, na altura não dei grande importância, mas pensei que era sempre melhor do que ter a minha aula de matemática.
Cheguei e sentei-me, lá num cantinho, onde ninguém me podia ver, a sala estava cheia, e cheguei mesmo a pensar que eu puderia vir a adomercer. Estava um homem lá à frente, não muito novo, não muito velho, por de trás dele havia uma mesa bastante desarrumada por sua vez.
O homem apresentou-se, e não sei porque razão, a suavidade da sua voz tocou-me no coração, não foram as palavras que disse, mas sim da maneira, do tom com que as dizia.
Estava ele lá à frente, e eu cá num cantinho, apercebi-me que estava lá para nos falar de poesia, logo aí o meu interesse se despertou, escutei tudo o que disse com bastante atenção, pois a sua voz era a única coisa que conseguia ouvir naqueles instantes, era algo de mágico, não sei como fazia, mas captava a minha atenção total.
Começou por falar um pouco do que era a poesia e leu-nos alguns dos bastantes bonitos poemas que Portugal tem. Eu, deveria ser das poucas pessoas naquela sala que entendia cada palavra recitada, escutava com atenção para nada me falhar.
As pessoas riam-se de algo que não tinha piada, não percebiam, porque estavam a escutar com os ouvidos e não com o coração.
Até que aquele homem leu um simples poema, mas foi o que mais me tocou, foi bastante significativo, parecia que tinham retirado um pedaço do meu passado e o tinham posto num bocado de papel. No final, algumas das pessoas choraram desesperadamente, mas eu não, eu estava no meu cantinho, as lágrimas corriam silenciosamente, ninguém notou, ninguém viu, porque eu estava ali, naquele cantinho.
Limpei as minhas lágrimas e fingi que nada foi.
O homem prosseguiu contando a história de um texto que mudara a sua vida, um texto que o impedira de seguir o pior caminho, o texto que fez dele mais forte que muitos, não fisicamente, mas psicologicamente. Tocou-me mais uma vez, a sua voz entrou no meu corpo e entrenhou-se no meu coração remexendo e lembrando águas passadas. As lágrimas vieram-me aos olhos mas conti, tal como aquele homem, lá frente, o estava a fazer enquanto contava aquela história, a triste história de que um desses seus amigos, morrera por não ter sido forte. Não sei se naquela sala se aperceberam a tristeza que navegava naqueles olhos, naqueles dois poços sem fim, mas eu notei, o sofrimento que aquele homem carregara dentro de si, era profundo, daí a sua voz conseguir penetrar-nos, tocando-nos e emocionando-nos.
Foi então que percebi que eu não podia deixar de escrever, não posso, porque um dia eu quero ter uma voz como aquele homem, suave e emocional, eu não posso deixar de exprimir os meus sentimentos, que só através da escrita é que os consigo puramente descrever, talvez não percebam, talvez achem que são apenas letras formando palavras, e palavras formando frases, mas para mim escrever é dar a minha alma para o papel, é muito mais que desabafar, é dar um pouco de mim sem esperar qualquer coisa de volta, chamem-me louca mas para mim escrever..é muito mais que que simples textos.

1 comentário:

  1. Escreve, Amor, escreve sempre! Só assim darás ao papel a forma do teu coração grande e transmitir-lhe-ás a força do teu pensamento! E loucos são aqueles que, por ignorância ou estupidez, não te conseguem acompanhar nesse voo fabuloso da tua mente e do teu espírito!
    Minha menina linda, adoro-te!
    Beijinhos da Tété

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